Filho de hipnos

 casal dormindo

 

Talvez o filho de Hipnos

não me queira em seus braços por hoje.

O sono não chega ao corpo cansado e  tenso,

que  perece em dores e pálpebras pesadas,

de um dia fatigante.

 

Deito o resto de mim

naquele  sofá nem tão macio,

porém rápido refúgio de minhas dores,

de meus pés exaustos, de mãos outrora perfumadas

agora entregues ao novo perfume da casa.

 

Quero perecer em segundos

entregando minha alma à Tanatus.

Desfaleço, ao leve tocar de brisa quente

que vem do ventilador em noite de verão.

 

Sinto-te.  Tocas levemente em meu rosto,

observas o meu corpo;

Pensei ser  o vento a me embalar.

Eram as tuas mãos que me despertavam

com beijos escondidos por entre os teus dedos.

 

Eras tu, o filho de Hipnos.

És tu…Morpheu!

Em  teus braços a me carregar

ao silêncio sagrado de nosso quarto

onde apenas o som de nossos corpos

rompiam o silêncio da noite quente de verão.

 

Me despertas com o sopro de tua ternura,

falas de minha pele sob suas mãos,

do cheiro suave do perfume matinal

nem tão ausente de meus cabelos.

 

És um Deus?  Não. És meu homem!

Ajoelhado diante de mim – tua mulher.

 

(by Beth Santana)

~ por bethsantana em 12 Janeiro, 2008.

4 Respostas to “Filho de hipnos”

  1. Beth,
    linda poesia! Um deleite para os amantes da filosofia e da mitologia, com um toque da sensualidade e discrição que nos faltam nessa nossa sociedade erotizada que não nos deixa agir de forma romântica. Amei!!!! Lindo, Lindo, Lindo!

  2. Querida, gosto de poemas onde há as palavras: corpo, alma, mãos e corpo! Parabéns!

  3. Há dias em que estamos mesmo tão casados e tensos que, mesmo estando nesta situação, não conseguimos dormir…
    Se eu estivesse por perto, daria-te uma demonstração de como uma massagem masculina, nestas horas, ajuda Morpheu!!

  4. Oii, tudo bom??

    Amei…muito lindo, sem palavras.

    Beijinhos e fique com os deuses….

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