Entre quatro paredes

•15 Setembro, 2008 • 4 Comentários

 

Gosto da frente fria.
Vejo-a chegando nas montanhas
rapidamente trazida pelo vento.
Gosto do vento gelado,
que parece cortar os ossos.
Gosto de toucas e mantas
Edredons e cachecóis
ficar entre cobertores
com a companhia do chá ou do capuccino
que molham as bocas
de corpos que se aquecem
que suam
e se protegem
com o calor que emana
entre quatro paredes.

(Beth Santana)

Denso, intenso, profundo

•2 Setembro, 2008 • 4 Comentários

O denso, o intenso
no caudaloso rio
que desagua no mais denso, intenso
mar…

Somos como os rios
nascemos filetes
cruzamos fronteiras,
rompemos barreiras,
fertilizamos terras,
saciamos sede,
ao final, apenas ao final,
desaguamos no mais denso, intenso
mar.

Como mar
entregamo-nos as tormentas,
abraçamos pedras,
mergulhamos no denso e intenso
do profundo desconhecido;
buscamos apenas chegar ao fim
de uma praia vazia
numa tarde fria.

(Beth Santana)

Temores

•10 Agosto, 2008 • 4 Comentários

 

 leveza

 

Não temo as tempestades

que chegam com nuvens densas, negras:

Elas chegam, lavam a sujeira, passam.

Temo àquela chuva fina,  insistente

que de suaves pingos faz desestabilizar a terra,

enchem leitos de rios

e das ruas,  tapetes de sabão.

 

Não temo o sol naqueles dias sem vento

onde corpos suam e aliviam-se diante do gelado de um copo.

Temo o sol com a brisa leve que suavemente abraça o corpo

num dia ameno, agradável;

tirana brisa, que esconde  o mal dos  raios de sol na pele.

 

Não temo as ciladas de um amor;

as cartas rasgadas, lembranças esquecidas,

retratos picotados, o doce da noite, o amargar do dia seguinte.

Temo jamais sentir o amor; nem o amar, nem o ser amada

ocasionado pelo mascarar de uma latente paixão.

Todas as paixões são doces e passageiras.

 

(Beth Santana)

Feliz aniversário Julie

•2 Agosto, 2008 • 3 Comentários

“Desde a idade de seis anos eu tinha mani de desenhar a forma dos objetos. Por volta dos cinquenta havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo o que produzi antes dos sessenta não deve ser levado em conta. Aos setenta e três compreendi mais ou menos a estrutura da verdadeira natureza, as plantas, as árvores, os pássadores, os peixes e os insetos. Em consequência, aos oitenta terei feito ainda mais progresso. Aos noventa penetrararei no mistério das coisas; aos cem, terei decididamente chegado a um grau de maravilhamento – e quando eu tiver cento e dez anos, para mim, seja um ponto ou uma linha, tudo será vivo”

(Katsuhika Hokusai, sécs. 18-19)

 

Assim vejo Julie – a doce menina, mulher, mãe, esposa do “Poeiras ao Vento”a aniversariante do dia – sempre descobrindo coisas e vida além da vida de nossas vidas.  Julie, em contante transformação de si mesma, soprando as poeiras de si, comemorando a vida e questionando-a.

 

Para Julie, nesse novo ciclo, a sua autora preferida – Clarice Lispector.

 

“É. Eu me acostumo mas não amanso. Por Deus! eu me
dou melhor com os bichos do que com gente. Quando vejo
o meu cavalo livre e solto no prado – tenho vontade de
encostar meu rosto no seu vigoroso e aveludado pescoço
e contar-lhe a minha vida. E quando acaricio a cabeça
de meu cão – sei que ele não exige que eu faça sentido
ou me explique.”

A Hora da Estrela

 

 

 

 

Criação

•23 Julho, 2008 • 4 Comentários

Foi Deus Quem Fez Você

Luiz Ramalho

Interprete: Amelinha

 

Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso
Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade num momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores que já foram destruídos
Foi Deus
Foi Deus que fez o vento
Que sopra os teus cabelos
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar, teu olhar
Foi Deus que fez as noites
E o violão planjente
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar, só para amar

 

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Farol

•19 Julho, 2008 • 5 Comentários

carlossilva_cincodemaioO balançar de ondas

Ondas no ar, ondas do mar

Faltando-me o ar

Nem chão para pisar.

Nada a dizer, apenas morrer.

 

 

Diante dos olhos, última esperança.

Luz na imensidão

Mesmo assim, acontece…pura opção.

Afogar-me em você.

 

(Beth Santana)

Canção de ninar

•10 Julho, 2008 • 8 Comentários

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Estamos assim

grávidos com você….

Brindamos  a noticia

que em sonhos, por anjos foi anunciada;

da vida no teu ventre.

 

Estamos assim

grávidos com você…

Felizes

E desde já…tirando nos acordes do violão

a nova canção de ninar.

 

A canção não terá nome

Nem para um sexo determinado ela será

É apenas, mais uma canção de ninar

 

Está sendo escrita assim:

 

“Bem vindo nenénzinho

para meus braços te embalar

dormirás assim quientinho

feito um anjinho a sonhar

 

Bem vindo nenénzinho

para os meus braços te embalar

te darei o mais belo do mundo

o rio, a mata, o mar

….”

 

A canção que não tem fim

Enquanto vidas fores gerar…..

 

 

(Beth Santana)

Dores febris

•7 Julho, 2008 • 1 Comentário

Em poucos dias

Fazes meu corpo tremer

por vezes, dor.

Em outras, puro gemer.

 

A procura de cura

desfaleço efervescentemente

em entregas que me tragam

quando em uma profusão febril.

Procuro fôlego.

 

O melhor de meu corpo

Tomas para ti,

virus da gripe….

 

(Beth Santana)

Poeminha amoroso

•11 Junho, 2008 • 1 Comentário


Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo…”

 

Cora Coralina

 

pensamento

o simples de amar…

•3 Maio, 2008 • 7 Comentários

 

Quando A Gente Ama

(Oswaldo Montenegro)

 

Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!